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Meu av, Jos Oswaldo Junqueira, foi um homem de destaque, ou talvez seja mais fcil de definir, um senhor de grande estatura, olhos firmes, sempre bem trajado e ainda melhor posicionado. Talvez garboso, como ele procurava definir um bom garanho, homem de poucas palavras e um fazendeiro reconhecido como tal em qualquer lugar.

Mas s eu sabia o quanto ele era doce e carinhoso. Sem nunca proferir uma palavra mais rude, era tambm capaz de um olhar de orgulho explcito que me encorajava a montar em qualquer cavalo, como se eu tambm fosse destemido.

Imbatvel na escolha de um bom potro, explicava o inexplicvel, enxergava o tom da pelagem de um potro alazo sentindo a herana dos seus ancestrais e, elogiando algum av ou bisav, destacava a paleta mencionando a comodidade da gua me de sua me. Seu olhar, num lance de memria centenria, atingia geraes anteriores.

O maior cavaleiro que conheci tinha uma ligao magntica e invisvel com sua montaria e qualquer cavalo a ele se submetia sem ser submisso. Com sua ligao neurolgica invisvel, no ato de montar iluminava sua montaria e formava um conjunto que aos meus olhos, parecia um mitolgico centauro.

Na companhia do meu av vivi os melhores anos da minha vida, que me pareciam eternos. A sua voz me acompanhava por todos os momentos, me confortando ou mesmo me enlevando no seu voo junto aos cavalos. O tempo que marca sua falta passou velozmente, mas a sua presena est impressa em minhas lembranas que simbolizam as muitas perguntas que ainda no fiz.
Capa e contra capa